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Entrevista com Presidente da Citroën do Brasil Quando a Citroën chegou ao Brasil, em 1991, como marca importada, o volume de vendas registrado pela francesa foi de 9 mil unidades. Tempos depois, a empresa passou a produzir veículos no País, graças à inauguração do complexo industrial do Grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ), em 2001. Hoje, a expectativa da Citroën já é comercializar 80 mil veículos até o final de 2008. Em 2012, serão 150 mil unidades. Segundo o presidente da marca no Brasil, o francês Jean-Louis Orphelin, a empresa saltará de uma participação de mercado de 2,6% para 3,5%, em 2010.

Quando a Citroën chegou ao Brasil, em 1991, como marca importada, o volume de vendas registrado pela francesa foi de 9 mil unidades. Tempos depois, a empresa passou a produzir veículos no País, graças à inauguração do complexo industrial do Grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ), em 2001. Hoje, a expectativa da Citroën já é comercializar 80 mil veículos até o final de 2008. Em 2012, serão 150 mil unidades. Segundo o presidente da marca no Brasil, o francês Jean-Louis Orphelin, a empresa saltará de uma participação de mercado de 2,6% para 3,5%, em 2010.
 

As previsões otimistas têm fundamento no bom desempenho da marca no País. Somente no primeiro semestre deste ano, a Citroën bateu recorde de vendas, com 41.550 unidades emplacadas, 80% a mais sobre o mesmo período do ano passado, num mercado que registrou alta de 30%. A estratégia de crescimento é pautada no lançamento de novos produtos. No segundo semestre de 2008, além do Novo C3, apresentado na semana passada e que terá uma versão com câmbio automático no próximo mês, chegam C4 Pallas com motor flex e as novas versões sedã e perua do C5. No início de 2009, a marca lançará o C4 hatchback, de quatro portas, e o C4 Picasso, de cinco lugares.

 

E vem mais por aí. Em entrevista exclusiva com o Carsale, o presidente Jean-Louis Orphelin afirmou que a Citroën terá um carro totalmente nacional em 2010 e que o Brasil já é considerado um centro de desenvolvimento para a marca. O executivo assumiu a presidência da empresa em abril deste ano, quando Sérgio Habib, responsável por trazer a Citroën para o País, em 1991, resolveu se dedicar aos negócios de seu grupo empresarial. Simpático, alegre e apaixonado pelo Brasil, Jean-Louis Orphelin fez questão de falar em português e mostrar o seu entusiasmo pela nova posição na Citroën, onde está desde 1971.

 

Como estão sendo os primeiros meses como presidente da Citroën do Brasil? Por conhecer um pouco o país, já é mais fácil para mim. O único problema é que estou morando no Rio, uma cidade maravilhosa para viver, mas trabalho em São Paulo, o que me traz um pouco de dificuldade, porque preciso, todas as semanas, viajar para lá e para cá. Mesmo assim, o percurso é muito fácil. Pessoalmente, gosto muito da comida daqui, das pessoas. Antes eu morava na Itália. Na Itália as pessoas são muito alegres, mas aqui as pessoas são ainda mais. Você sai na rua e ouve música, as pessoas vibram, dançam. Aqui, as pessoas procuram alegria. É um modo muito diferente de viver da Europa, onde todos são muito discretos.

 

Esse modo de vida influencia o seu trabalho? JLO - Sim, claro, um exemplo simples é que aqui estamos todos vestidos de camiseta. Na França, eu estaria de gravata (risos). Aqui também posso estar mais perto das pessoas, me comunico com mais facilidade com os funcionários. É um calor humano mais forte. E é conversando que podemos sentir os problemas. Então, quando temos consciência dos problemas, podemos, de uma maneira mais fácil, encontrar uma solução. Precisamos sempre de uma solução.

 

Como chegou até o Brasil? JLO - Eu era o responsável pelas operações de comércio internacional para a América Latina. Em janeiro deste ano, a decisão da empresa foi me mandar para o Rio de Janeiro, onde passei a cuidar de todos os países da região, enquanto parte da minha equipe ficou em Paris. Foi assim que tive a possibilidade de morar no Brasil, especificamente no Rio, onde fica a matriz do Grupo PSA Peugeot Citroën. Quando o sr. Habib tomou a decisão de se afastar da presidência, a direção da Citroën imaginou que o melhor para o Brasil seria escolher uma pessoa que já conhecesse os executivos, as concessionárias e principalmente o mercado brasileiro.

 

Então o sr. não enfrentou dificuldades para se adaptar? JLO - Não, não, nenhuma. Eu gosto muito do Brasil. Para ser sincero, eu gostaria de ter chegado no Brasil há dez anos Por quê? Porque aqui é mais fácil viver, morar. É um país tão jovem, alegre. A vida é uma só. Melhor, então, vivê-la em um país tão bom como o Brasil.

 

Qual o maior desafio de presidir a Citroën do Brasil? JLO -O maior desafio é adaptar todos os produtos para o país. Temos uma estratégia boa, eu penso. Uma estratégia de uma marca premium. Mas o mercado brasileiro, ou melhor, o cliente brasileiro tem desejos, esperanças, que algumas vezes não podemos satisfazer totalmente. Por isso devemos montar veículos mais brasileiros e também importar veículos que respondem mais às necessidades dos brasileiros.

 

E qual a maior necessidade do brasileiro? JLO - Não é só preço. Preço é importante, naturalmente. Mas penso que importante também é o conforto, a qualidade do produto, o design. Os brasileiros são como os italianos. Gostam de novidades, gostam de design moderno, beleza, juventude e de alegria. E alegria se vê no design. Podemos exprimir alegria em um produto. A qualidade de serviço também é muito importante para o cliente brasileiro. Ele prefere pagar um pouco mais para estar feliz com seu produto no futuro.

 

A Citroën pretende criar produtos para todos os segmentos no Brasil? JLO - Hoje a Citroën tem uma credibilidade no segmento de monovolumes, por exemplo. O C3 é um pequeno carro, mas é um pequeno monovolume, é um carro alto, que as mulheres especialmente gostam. O Xsara Picasso é o líder em seu segmento. Outro exemplo é o Grand C4 Picasso. Quando resolvemos importá-lo, nossa idéia era vender 300 unidades mensais. No primeiro mês, vendemos 600. O primeiro lote foi embora em 15 dias, sem propaganda! Por isso penso que, no Brasil, a questão é oferecer um produto inovador. Não falta espaço neste mercado.

 

E o segmento de picapes e utilitários? JLO - Hoje não estamos neste mercado, mas é um segmento muito importante aqui. Não podemos dizer se lançaremos ou se não lançaremos (risos). Mas estamos pensando em um futuro, possível.

 

Como o Brasil é visto pela matriz da Citroën? JLO - Eu posso dizer que a confiança é muito grande. Porque o Brasil é um país com economia forte, com uma moeda forte e com uma política econômica que dá confiança a todos os investidores. Não somente a matriz, mas toda a Europa está atenta ao Brasil. O país tem uma verdadeira credibilidade. É um grande país, com bom desenvolvimento industrial. E mais, o Brasil tem a tecnologia flex, tem álcool, petróleo. É um país que, para mim, tem um potencial muito forte. É visto assim também na Europa.

 

O presidente do Grupo PSA afirmou que um centro de desenvolvimento no Brasil seria possível. Qual sua opinião? JLO - Considero que isso já é uma realidade. Estamos preparando produtos do futuro aqui. Produtos para o futuro da América Latina, aqui. Temos alguns expatriados da Espanha que estão envolvidos com os brasileiros para que eles desenvolvam a cultura do grupo, assim como há expatriados brasileiros na França, na Espanha e em outros países, para ganhar esta experiência e depois desenvolver os produtos no Brasil.

 

O que a Citroën prepara para 2010? JLO - O que posso dizer é que, em 2010, existe a possibilidade de comercializarmos, na América Latina, um produto concebido e montado no Brasil. Com motor flex para o Brasil e outros motores para os demais países.

 

Por falar em motor flex, qual será a tecnologia do futuro, em sua opinião? JLO - É um assunto complicado. Todas as montadoras buscam tecnologias novas, hidrogênio, eletricidade, álcool, biodiesel, híbridos, energia solar etc. Para o Brasil, a energia solar pode ser uma boa opção. A tecnologia flex é para o presente e futuro. Eletricidade, não vejo interesse. Hidrogênio, por quê não? A energia solar deve ser uma tecnologia viável para 2020, 2022, e o hidrogênio um pouco antes, em 2015.

 

A Citroën estuda estas tecnologias para o Brasil? JLO - Aqui estamos trabalhando no desenvolvimento de motores flex para o mundo, porque é a especialidade do Brasil. Os melhores engenheiros desta área estão aqui, já que a tecnologia é nacional.

 

O que os brasileiros verão no estande da Citroën no Salão do Automóvel? JLO - Apresentaremos o novo C5, nas versões sedã e perua (Station Wagon), o C4 hatchback, de quatro portas, e o C4 Picasso de cinco lugares, que não está sendo comercializado no Brasil, mas esperamos começar a vender no começo de 2009.

 

A Citroën pode se posicionar entre as principais montadoras? JLO - Estar entre as principais é um pouco pretensioso. Mas como grupo, estamos aqui para realizar volumes importantes de vendas e investir muito no País, num futuro próximo.

 

O que o Brasil tem de melhor? JLO - Pessoalmente ou profissionalmente, digo que aqui aprendemos filosofia. Filosofia de, primeiro, ter qualidade de vida. Em segundo lugar, de confiar no futuro. Há um ou dois anos, nunca pensaríamos que o Real fosse uma moeda tão forte. Que o mercado brasileiro estaria tão forte. Devemos crer em um futuro feliz. E os brasileiros crêem neste futuro. Uma qualidade dos brasileiros é pensar sempre no melhor. Vejo os funcionários pensando sempre no futuro alegre para os filhos. E isso é uma filosofia de vida muito importante, que muitas pessoas na Europa deveriam aprender.

 

Texto: Carina Mazarotto
Fotos: Studio Cerri 

Fonte: Carsale

Última atualização (Sex, 19 de Setembro de 2008 17:22)

 
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