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Apesar de todas as ressalvas que aparecerão no restante da crítica é preciso, de cara, reconhecer uma coisa: Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio é o segundo melhor filme da série Velozes e Furiosos, sendo inferior apenas ao primeiro. E o curioso é que o motivo para isso é justamente o fato de ser o mais diferente do longa original. Pela primeira vez na franquia temos um filme de assalto, em que o planejamento para um roubo é mais importante do que as perseguições de carro. E a mudança funciona, e muito, como comprova os resultados iniciais da produção nas bilheterias dos Estados Unidos (US$ 86 milhões arrecadados no final de semana de estreia).

Velozes Cinco conta a história de como O'Conner (Paul Walker), Toretto (Vin Diesel) e Mia (Jordana Brewster) fogem dos Estados Unidos em direção ao Brazil (sim, com Z), onde sonham em levar uma vida pacata. O problema é que o trio está longe de apreciar o ócio e após um trabalho mal feito acabou no foco de um poderoso criminoso do país e também do FBI, que convoca o agente Hobbs (Dwayne Johnson) para caçar os criminosos impiedosamente.

A trama funciona e deve agradar aos fãs da série, principalmente a partir do momento em que são convocados personagens de + Velozes + Furiosos, Velozes e Furiosos - Desafio em Tóquio e Velozes & Furiosos 4. O longa abre espaço para personagens de todos os filmes da franquia, dando pela primeira vez a sensação de unidade a mesma e traçando paralelos interessantes com produções como Onze Homens e um Segredo e Uma Saída de Mestre.

Com relação à participação de personagens de filmes anteriores, é de fundamental importância que os espectadores não exercitem o triste hábito de sair da sala de exibição assim que começaram os créditos finais. Existe uma cena muito importante durante os créditos, que dá fortes indícios sobre a trama de Velozes & Furiosos 6, que pode ser o último.

Contando com ótimas cenas de ação e um embate memorável entre Vin Diesel e Dwayne "The Rock" Johnson, Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio acaba pecando feio na caracterização do Brazil. É claro que a imagem passada do Rio de Janeiro será o principal objeto de críticas ao filme por aqui, mas isso, na verdade, é o de menos. É claro que não precisava falar que existe um policial honesto na cidade, mas tal absurdos devem ser relevados em produções hollywoodianas. Alguém deixou de visitar o país por causa daquele troço que é Turistas? Claro que não!

O problema é que a ambientação é mal feita. Com exceção de Jordana Brewster, que é filha de brasileira, não há nenhum ator na produção que tenha nascido no país. É claro que o elenco principal está tomado por astros já conhecidos, mas nada justifica o segundo, terceiro e quarto escalão de atores serem compostos de latino-americanos de origem hispânica, forçando inclusive uma dublagem para o português, atrapalhando o som original. Filmado em Porto Rico e no Rio de Janeiro, o longa possui erros de continuidade primários. Por exemplo: uma tomada aberta mostra uma perseguição de automóvel em uma larga avenida do Rio, enquanto que a tomada fechada da mesma cena mostra uma rua estreita sem canteiros no centro da pista. Isso é inaceitável em uma produção orçada em US$ 125 milhões. Não tem como fazer concessões com falhas deste tipo.

A trilha sonora também é um capítulo à parte. É óbvio que ninguém esperava ver um longa como Velozes & Furiosos com temas clássicos da bossa nova, mas isso não quer dizer que uma música deve ser escolhida apenas por contar com uma batida mais americana ou mesmo por ser um funk.

Operação Rio não é um documentário sobre a cidade maravilhosa e também não busca mostrar a realidade do povo ou das instituições brasileiras, então não deve ser julgado pelos absurdos que mostra na tela (por mais que sejam absurdos). Deve ser julgado sim pelo mau acabamento, por abrir espaço demais para personagens pouco significativos, como Santos e Leo (quem?), por contar com diálogos e frases de efeitos nada memoráveis e por criar uma cena digna de comédias americanas no nível de Uma Comédia Nada Romântica, Super-Herói - O Filme e Norbit (envolvendo o banheiro da delegacia). É um filme que diverte, mas que poderia ter sido feito com mais cuidado.

Última atualização (Seg, 09 de Maio de 2011 01:58)

 
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